terça-feira, 18 de abril de 2017

Lembro-me de ser uma criancinha e de pedir inocentemente ao tempo para passar depressa, para que logo pudesse tornar-me mais independente. Pensava eu que a vida seria mais feliz se eu fosse “mais maior”. Talvez porque as brincadeiras de bonecas já não me parecessem o suficiente e ver a Barbie a beijar o Ken já não fosse tão emocionante, talvez porque as histórias das princesas Disney já me parecessem aborrecidas pela quantidade infinita de vezes que as via. Eu queria crescer e tornar-me uma mulherzinha, queria percorrer o Mundo com uma só volta e parecia que o tempo era a chave para a felicidade sem limites.
Bem, antes fosse. Mas não me julguem, somos todos tão inocentes na infância que nem nos apercebemos do que teremos de enfrentar e do que virá com a simples palavra “crescer”. Vêm as responsabilidades, os estudos, as amizades a formarem-se e a desformarem-se, os rapazes que de repente ficam tão giros mas nem reparam em nós, as escolhas do futuro, o ensino secundário, a faculdade… Tudo o que engloba o mundo que nos espera e que nós não temos a mínima noção de como é.
E com a perfeita consciência do pouco que sei sobre a vida, dou por mim a querer que o tempo pare, ou que pelo menos abrande (sim, tal como dizem os finalistas no filme HSM 3). Tudo o que me rodeia neste momento parece olhar para mim e pensar que, se calhar, não aproveitei bem os benefícios da infância enquanto pude. E olho para a frente e só vejo uma grande bolha negra, que me obriga a fazer escolhas e ser mais do que aquilo que eu quero ser com a minha idade. De repente, tudo o que deixo para trás me parece suficiente para ficar retida naquele simpático buraco que já tão bem conheço. Mas serei obrigada a seguir sem olhar para trás, antes que vacile.

Nunca ninguém me preparou para isto, para o que é seguir o caminho certo. Dizem apenas “a escolha é tua”. Não sabem, no entanto, que me sinto sem ar ao dizerem isto. Acho que todos que estão na minha situação ficam. Esta é a escolha que vai fazer com que um bom futuro se construa ou não. E eu tenho medo do simples facto de o tempo apertar comigo para que escolha atempadamente…

2 comentários:

Quarta-feira à noite. O que poderemos fazer nós de interessante num dia a meio da semana à noite? Ver a nossa série preferida? Acompanhar o...