Lembro-me de ser uma criancinha e
de pedir inocentemente ao tempo para passar depressa, para que logo pudesse
tornar-me mais independente. Pensava eu que a vida seria mais feliz se eu fosse “mais
maior”. Talvez porque as brincadeiras de bonecas já não me parecessem o
suficiente e ver a Barbie a beijar o Ken já não fosse tão emocionante, talvez
porque as histórias das princesas Disney já me parecessem aborrecidas pela
quantidade infinita de vezes que as via. Eu queria crescer e tornar-me uma
mulherzinha, queria percorrer o Mundo com uma só volta e parecia que o tempo
era a chave para a felicidade sem limites.
Bem, antes fosse. Mas não me
julguem, somos todos tão inocentes na infância que nem nos apercebemos do que
teremos de enfrentar e do que virá com a simples palavra “crescer”. Vêm as
responsabilidades, os estudos, as amizades a formarem-se e a desformarem-se, os
rapazes que de repente ficam tão giros mas nem reparam em nós, as escolhas do
futuro, o ensino secundário, a faculdade… Tudo o que engloba o mundo que nos
espera e que nós não temos a mínima noção de como é.
E com a perfeita consciência do
pouco que sei sobre a vida, dou por mim a querer que o tempo pare, ou que pelo
menos abrande (sim, tal como dizem os finalistas no filme HSM 3). Tudo o que me
rodeia neste momento parece olhar para mim e pensar que, se calhar, não
aproveitei bem os benefícios da infância enquanto pude. E olho para a frente e
só vejo uma grande bolha negra, que me obriga a fazer escolhas e ser mais do
que aquilo que eu quero ser com a minha idade. De repente, tudo o que deixo
para trás me parece suficiente para ficar retida naquele simpático buraco que
já tão bem conheço. Mas serei obrigada a seguir sem olhar para trás, antes que
vacile.
Nunca ninguém me preparou para
isto, para o que é seguir o caminho certo. Dizem apenas “a escolha é tua”. Não
sabem, no entanto, que me sinto sem ar ao dizerem isto. Acho que todos que
estão na minha situação ficam. Esta é a escolha que vai fazer com que um bom
futuro se construa ou não. E eu tenho medo do simples facto de o tempo apertar
comigo para que escolha atempadamente…
eu também me sinto assim
ResponderEliminarQue bom não estar sozinha!
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